No Supermercado

abril 24, 2010

Chego no caixa do supermercado e coloco a garrafa de shoyu na esteira.

-”Só isso? Não vai levar um ovo de páscoa não?”
-”Ehehe…não. Valeu.”
-”Leva aí, tá baratinho. 5 reais.”
-”Opa. Legal. Mas hoje vou só de shoyu mesmo.”
-”Tem certeza, cara?”
-”Tenho sim. Valeu aí.”
-”Falou cara. Obrigado.”
-”Obrigado. Falou.”

Lixo Vivo

janeiro 16, 2010

Vivendo no lixo.
Caixas empilhadas.
Convivendo com cupins e baratas.
Infiltração na parede.

E eles não querem sair.

Lixo vivo.
Vivo no lixo.

Asquerose

setembro 23, 2009

Eram um bando de imbecis. Puta merda, nunca tinha visto tanta gente cretina junta. Medo da morte? Nem. Era medo de se relacionar com alguém. Ou era o medo da verdade?
Nenhum diálogo era construtivo. Apenas banalidades eram proferidas.
Deu no jornal que uma tribo inteira na África nasceu com um par de hélices nas orelhas. Mentira. O mundo não é tão legal assim.
Olha lá, fez merda de novo. A mesma merda de outrora, saca? Repetiu a merda! Como isso é possível? Aprender com os erros? Mera ilusão. O lance é repetir a cagada ad eternum.
Fez aquilo pra nada? Não aplicou aquele conhecimento na sua vida? Gastou dinheiro dos outros imbecilmente. Perdeu um precioso tempo na vida, hein.  Aaah. Abandone seus sonhos por causa da promessa de estabilidade fácil e burocrática. E claro, não se justifique com aqueles que o sustentaram.
Aquela doce música que falava sobre as leis da física já não existe mais. Derreteram essa banda a mando do Imperador.
Putz grila! De novo ele comprou o mesmo lixo? Já é o terceiro só essa semana. Uma impressionante coleção de lixos ele está construindo.
E aquele lá? Materialismo como opção para suprir a falta de sentimentos e afeto. Coisa bonita. Todos o aplaudem. Hurras! Vamos, ele merece.
Mande todos se foderem. Vai. Faça isso. Eles merecem. Ou não?
Luzes estranhas e contornos distorcidos invadem a realidade.
Bem que tudo poderia explodir agora mesmo. Não seria bacana?

Beijos e Abraços

julho 3, 2009

- Vagabunda! Você cortou meu pau!
- Você fez por merecer, seu cuzão!

Soco na cara. Chute no saco. Sangue na parede.

Carlos e Suzana se amavam muito. Mas muito mesmo.
Ainda me lembro do dia do casamento deles.

- Você aceita Suzana como sua legítima esposa?
- Ela confirmou que não tem AIDS. Então aceito.

A festa foi uma loucura. Lá pelas tantas, Suzana deixou todos espantados ao colocar 3 garrafas de champagne em sua vagina.

- Vou bater o recorde mundial! Uuuuuuuuuhul!

Palmas. Gritos. Afobação.

Um dia estava passeando no centro comercial e percebi um rebuliço. Cheguei perto e eis que vejo Carlos e Suzana numa briga de facas.

- Vou cortar suas tetas, filha da puta!
- Você não é homem, Carlos. Bicha de merda!

Algum tempo depois fico sabendo que os dois tiveram 4 filhos e que vivem numa casa na praia.

Sinto saudades daqueles tempos românticos.

Vida De Merda

junho 17, 2009

Claudomiro vendia balões. Um dia, comprou uma arma e atirou na primeira pessoa  que viu. Essa pessoa se chamava Mariana. Mariana acabara de comprar um par de  sapatos que tanto cobiçava. Se prostituiu por dois meses até juntar a quantia  necessária para obter os sapatos. A vendedora se chamava Letícia. Letícia estava  determinada a envenenar seu chefe, o senhor Rubens. Rubens sempre implicava com  suas funcionárias, em especial com Letícia. Ele dizia que ela era desleixada e  não cumpria suas obrigações na loja como deveria. Essas obrigações na verdade  eram as tentativas de Rubens em levar Letícia para a cama. Rubens era um gordo  seboso e careca que herdou a loja de sapatos de seu pai, Nestor. Nestor sempre  foi considerado um homem de bem. Era respeitado na comunidade e sempre estava  presente nos mais importantes eventos sociais de seu bairro. Todos o admiravam e  o respeitavam. Porém, Nestor era viciado em crack. Gastou toda a fortuna que  havia acumulado no tóxico. Após o divórcio, Nestor foi morar nas ruas. Morreu de AIDS dois anos depois.

Parabéns, Júnior

maio 24, 2008

-Peço mil perdões por isso, senhor!

Mas já era tarde demais.
A lagosta havia começado a fazer sexo oral no meu filho de 15 anos.
Extasiado, Leandro gritava: LAGOSTA, TE AMO!

Um pequeno rebuliço se formou no restaurante. As pessoas se juntaram ao redor de nossa mesa e soltavam comentários lascivos.
Minha esposa – com lágrimas nos olhos – me dizia: Vamos, seu infeliz! Faça algo!

Então realmente tomei uma decisão. Tirei minha arma do bolso e dei dois tiros no cantor que se apresentava no restaurante. Todos me aplaudiram. Ganhamos sobremesa de graça e minha mulher disse que eu era o melhor marido do mundo.

Bonselemitose

abril 23, 2008

Jair acordou com uma dor em seu ombro esquerdo.

Andou até o banheiro e olhou para o espelho. Tomou um grande susto.
Um bonsai estava alojado em cima de seu ombro dolorido. Jair tirou a camisa do pijama e sua suspeita foi confirmada: o bonsai fazia parte do seu corpo e havia rasgado parte do pijama para poder crescer.
“Puxa vida… mais uma boca para alimentar…”, pensou Jair.
Jair possuía 38 papagaios em sua casa. Uma obsessão que começou após a final da Copa de 94. “Os papagaios merecem algo melhor”, dizia.
Ao sair de sua casa, Jair caminhou até o meio da rua e executou um moonwalk. Sempre fazia isso nas terças-feiras que coincidiam com datas de números pares. Com um sorriso no rosto, entrou no seu carro e foi trabalhar.

“Jair, que porra é essa no seu ombro?”, perguntou a secretária Elisete.
“Nunca viu um bonsai na vida, sua estúpida?”, respondeu Jair, visivelmente irritado.
Jair entrou em seu escritório, acomodou-se em sua confortável cadeira feita de crânios senegalenses e abriu sua maleta. Dela, tirou uma dúzia de bolinhos de melão. Enfileirou todos com uma precisão milimétrica. Pegou a lata de graxa que guardava em sua gaveta e uma colher. “Hora de se divertir, Jairzinho”, sussurou.

Após o expediente, Jair voltou para sua casa. Alimentou os seus papagaios e foi até a cozinha. Preparou sua refeição predileta: alfaces refogados no molho de tomate com azeitonas. Após terminar seu jantar, suspirou.
Olhou a faca que usava para palitar os dentes. Suspirou novamente. Caminhou até o porão, onde mantinha Suzana acorrentada já faziam 3 meses.
“Você gosta de bonsais?”, perguntou. Suzana acenou positivamente com a cabeça. Jair teve uma ereção. Deixou um prato com ração de papagaio para Suzana e foi para seu quarto dormir. Amanhã seria um novo e excitante dia.

Gerson Silva, o mecânico

fevereiro 29, 2008

Enquanto todos saboreavam carnes fritas no conforto do lar, Gerson Silva – mecânico – perambulava pelas ruas de sua cidade natal.
Chutava tampinhas, chorava e rogava pragas diversas. “Charfundem todos na lama, miseráveis!”, gritava o infeliz mecânico.
Nada estava correto em sua vida. Gerson Silva agnava certas coisas tão peculiares como descascar limões usando uma lixa de unha. Era motivo de chacotas por causa disso? Claro que não. Porém eram tantas as afrestações que o terneavam e espurravam sua dignidade para o limbo.
Gerson chegou ao cúmulo de pedir uma escova de dentes emprestada para Sílvio, o mendigo local.

Sílvio nem sempre foi um mendigo. Esculpia e vendia suas belas estátuas feitas com feijão branco. Eram um sucesso indescritível. Turistas de toda a parte do mundo visitavam a cidade apenas para comprar uma estátua feita de feijão branco. Época de fartura e luxúria. Porém tudo mudou quando o inverno de 1976 chegou. Todos se trancaram em seus porões e nunca mais ninguém comprou uma estátua feita de feijão branco. Sim, Sílvio perdeu seu ganha pão e a miséria o abraçou.

Gerson limpava o nariz com a manga esquerda de sua camiseta, quando percebeu uma luz estranha vindo em sua direção. “Não pode ser!”, pensava.
Involuntariamente, Gerson começou a dançar. Freneticamente, gingava com passos descolados e modernos. Parecia que Gerson participava de algum videoclipe daquela popstar loira com seios fartos que tanto o agradava.
Gerson dançava e chorava. Grandes doses de ranho escorriam de seu nariz que outrora havia sido limpado. Lhações, grandes lhações ocorriam naquele grandioso momento. Um espetáculo audivisual só antes visto durante o show da banda Magnammus Brukläsque, cujo principal hit foi “Don’t Kiss My Dead Grandpa”.

Duas horas da tarde, Leandro entra na oficina e olha um cartaz em que Savannah Love – famosa estrela pornô da década de 70 – está deitada em cima de um tigre de pelúcia. Ele tosse duas vezes e chama a atenção de Gerson.
“Bom dia, amigo cliente. Em que posso ajudar?”
“O meu Maverick está com problemas no motor. Você quer dar uma olhada?”, diz Leandro.
“Sinto, não posso. Eu não posso!”, retruca Gerson.

Um Estranho Desfecho

fevereiro 12, 2008

Sim. Apenas uma fração de segundo foi necessária para que Jeremias reconhecesse sua abstulância. Durante sua caminhada diária ao redor da praça, vários pensamentos e feraneios contulavam em sua mente.
“Será verdade? Haverá uma postulância?”
Intrigado, Jeremias adentrou numa lanchonete de qualidade suspeita. Por apenas 50 centavos, jovens devoravam o famoso sandúiche de carne de porco do estabelecimento.
Sujeira. Cheiro ruim. Jeremias estava nauseado. Sacou o seu celular e ligou para Ruth, sua adorada avó.
Nesse momento, eis que arbitulicamente surge na frente de nosso herói uma figura que ele apenas conhecia em sonho: Fran.
“Oh! Você!”
Jeremias estava extasiado com tal aparição. Fran sacou um maço de cigarros e começou a chorar. Jeremias sentia uma incrível paliação dentro de seu peito. Logo, começou a chorar também.
Rubens, o atendente, escreveu uma carta para sua amada: “Querida, não sinta isso que te efulhece. Não. Não mais. Eu gosto de você. Vamos sim, mas não e nem depois. Tchau.”

Robestölf

fevereiro 3, 2008

Robestölf morava no subúrbio de Anztentória, uma pacata cidade com menos de 1000 habitantes. Na verdade eram 998.
Ele trabalhava na Fábrica Hollhegrand de Talheres de Plástico. Produziam as mais finas peças. Seu chefe, o Senhor Bhuants Leiver, o chamou ao seu escritório e disse:
“Robestölf, há uma dúvida que tenho desde criança!”.
“E qual seria tal dúvida, senhor?” – perguntou Robestölf.
“Há cerca de 39 anos atrás, uma jovem senhora costurou um par de meias para seu marido, tingiu de verde e jogou na floresta de Arbentuch. Dizem que depois disso, os pássaros nunca mais cantaram novamente. Ontem mesmo eu recebi um fax da contabilidade e me disseram que havia um erro no cálculo dos gastos totais da empresa. A minha pergunta é: disquetes voam?”
Silêncio na sala.
Robestölf começa a suar frio. Tem que responder a tal pergunta. O tempo passa. Ambos se encaram e então Robestölf começa a mexer seus lábios e diz:
“Não, senhor. Não voam.”


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