Jair acordou com uma dor em seu ombro esquerdo.
Andou até o banheiro e olhou para o espelho. Tomou um grande susto.
Um bonsai estava alojado em cima de seu ombro dolorido. Jair tirou a camisa do pijama e sua suspeita foi confirmada: o bonsai fazia parte do seu corpo e havia rasgado parte do pijama para poder crescer.
“Puxa vida… mais uma boca para alimentar…”, pensou Jair.
Jair possuía 38 papagaios em sua casa. Uma obsessão que começou após a final da Copa de 94. “Os papagaios merecem algo melhor”, dizia.
Ao sair de sua casa, Jair caminhou até o meio da rua e executou um moonwalk. Sempre fazia isso nas terças-feiras que coincidiam com datas de números pares. Com um sorriso no rosto, entrou no seu carro e foi trabalhar.
“Jair, que porra é essa no seu ombro?”, perguntou a secretária Elisete.
“Nunca viu um bonsai na vida, sua estúpida?”, respondeu Jair, visivelmente irritado.
Jair entrou em seu escritório, acomodou-se em sua confortável cadeira feita de crânios senegalenses e abriu sua maleta. Dela, tirou uma dúzia de bolinhos de melão. Enfileirou todos com uma precisão milimétrica. Pegou a lata de graxa que guardava em sua gaveta e uma colher. “Hora de se divertir, Jairzinho”, sussurou.
Após o expediente, Jair voltou para sua casa. Alimentou os seus papagaios e foi até a cozinha. Preparou sua refeição predileta: alfaces refogados no molho de tomate com azeitonas. Após terminar seu jantar, suspirou.
Olhou a faca que usava para palitar os dentes. Suspirou novamente. Caminhou até o porão, onde mantinha Suzana acorrentada já faziam 3 meses.
“Você gosta de bonsais?”, perguntou. Suzana acenou positivamente com a cabeça. Jair teve uma ereção. Deixou um prato com ração de papagaio para Suzana e foi para seu quarto dormir. Amanhã seria um novo e excitante dia.